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Reforçadores no desenvolvimento infantil: aplicação estratégica no dia a dia

Gabriel Rondon

Bom, para dar início a este texto de forma mais bem esclarecida e clara quanto ao entendimento, é válido trazer um termo da análise do comportamento que, por sua vez, trata-se de uma ciência estudada e desenvolvida pelo bacharel em literatura e pós graduado em psicologia Burrhus Frederic Skinner. A título de conhecimento, a produção de sua filosofia do behaviorismo radical, tem como bases estudos nas diversas áreas do desenvolvimento para compreensão do ser humano e a Análise do Comportamento especificamente, diz respeito a ciência que estuda as variáveis ambientais frente ao comportamento.

Certo, para compreender a importância dos reforçadores, é necessário entender que, reforçar POSITIVAMENTE um comportamento, aumenta as chances deste ocorrer novamente em uma idêntica/similar situação, pois o seu histórico de reforçamento, ou seja, o evento anterior (situação), “confirma” esta probabilidade. Um exemplo, ilustra melhor a respeito: ao tentar abrir uma garrafa de suco/refrigerante/água com a mão e, não conseguir, recorresse a abri-la com os dentes, ao qual funciona, fazendo com que este comportamento seja reforçado POSITIVAMENTE, pois atingiu o objetivo de abrir a garrafa. Sendo assim, de acordo com o seu histórico de reforçamento em situação idêntica/similar anteriormente, existem altas chances/probabilidades do comportamento de abrir a garrafa com os dentes ocorrer de novo, caso não conseguir abrir com a mão ocorra novamente. Outro momento que isto se aplica, é o de cumprimento, ao dar bom dia para alguém e este responder com bom dia, as chances de você repetir este comportamento são altas, devido ao reforço POSITIVO que o seu comportamento sofreu. Importante entender que o reforço age na consequência do comportamento, ou seja, primeiro precisa ser feito a ação (comportamento) para que depois seja reforçada e este reforço ser positivo, para que essa probabilidade de repetição aconteça em outra ocasião idêntica/similar.   

Após as explicações e entrando na temática do título, importante frisar que, existem reforçamentos que são naturais ao comportamento realizado, pois atendem ao objetivo proposto da ação feita, por exemplo, um adulto lê um livro, apenas pelo próprio prazer de ler, sendo este o seu reforçador associado a leitura. Porém, em crianças, isto ainda não acontece desta forma, fazendo com que o comportamento deva ser reforçado com algo arbitrário, que aqui, esta palavra significa que o reforçador não tem nenhuma relação com o comportamento realizado. Utilizando-se do idêntico exemplo, uma criança pega um livro para ler a pedido do responsável e após ler uma quantidade específica de páginas, é deixada ver desenhos na televisão. Perceba que a correlação entre ler as páginas do livro e assistir desenhos, não tem correlação nenhuma, correto? Sendo assim, isto é arbitrário. Mas, tal ação é comum, pois, uma vez que a criança/adolescente necessita realizar a leitura para fazer uma prova/atividade e não tem essa ação de modo espontâneo e/ou natural, este recurso se faz necessário pensando em consequências que não serão agradáveis, como uma nota baixa ou até um desalinho com a proposta da aula, fazendo com que fique para trás. Fazendo este movimento, os responsáveis estão reforçando POSITIVAMENTE o comportamento, ainda que o reforçador não seja natural, afinal o objetivo é outro e isto não impede que futuramente, a leitura no caso, não passe a ser prazeroso, fazendo com que o ato de ler por si só não seja reforçador. Portanto, é de extrema relevância identificar quais são os reforçadores para que sejam usados neste processo, itens, locais, jogos, brincadeiras, eletrônicos e afins.

O intuito com essas linhas é de que você enquanto responsável, faça uso deste artifício aqui proposto para a vida cotidiana com o seu filho(a), para as mais diversas possibilidades, não só de estudo como citado acima, como também na realidade do dia a dia, como uma organização da cozinha, sala, quarto, no lavar as roupas, com isto a ideia é que saia de um agente passivo no ambiente familiar e atue como um agente participativo/cooperativo em casa, fazendo com que suas ações sejam reforçadas POSITIVAMENTE para que continuem realizando este comportamento, porque, como comentado anteriormente, a probabilidade deste comportamento ocorrer novamente são altas, devido ao reforço dado, ainda que de modo arbitrário. E lembrando, nada impede deste comportamento ser mantido sem a necessidade do reforçador arbitrário associado a ele (comportamento) e torne-se algo de consequência natural que mantenha o este comportamento.

Clínica Integrare

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