O que aprendi com minhas próprias dificuldades de leitura e escrita

Passei boa parte da minha vida escolar enfrentando dificuldades com a leitura e a escrita. Eu era aquela aluna que vivia com medo das provas, sempre insegura, acumulando notas baixas e carregando a sensação de não ser capaz. Muitas vezes inventava desculpas para não ir à escola, tamanha era a minha ansiedade diante das tarefas.

Essa experiência me marcou profundamente, mas também me trouxe aprendizados valiosos. Hoje, ao acompanhar crianças e adolescentes, consigo enxergar neles um pouco daquilo que eu mesma vivi: o peso que a dificuldade com a linguagem pode trazer não só para o desempenho escolar, mas também para a autoestima e para o prazer de aprender.

Percebo que, muitas vezes, quando um aluno “não vai bem” em determinada matéria, a raiz do problema está justamente no domínio da leitura e da escrita. Afinal, essas habilidades são a base para compreender o mundo, para se comunicar e para avançar em qualquer área do conhecimento.

Aprendi, na prática, que não existe uma única causa para essas dificuldades. Do lado da criança, há questões fisiológicas, emocionais e cognitivas que podem influenciar. Do lado da escola, métodos pouco atrativos e falta de atenção às diferenças individuais. Já em casa, tanto a cobrança exagerada quanto a ausência de estímulo podem desmotivar ainda mais.

As consequências disso, eu mesma senti na pele: a baixa autoestima, o medo de errar, a vergonha de ler em voz alta ou de escrever algo que pudesse ser criticado. Muitas crianças vivem o mesmo, retraindo sua criatividade e limitando seu potencial por insegurança.

Mas também descobri que é possível transformar esse cenário. Com atenção precoce, apoio da família, olhar acolhedor dos professores e, quando necessário, acompanhamento especializado, as barreiras podem ser vencidas.

Hoje, acredito profundamente que aprender não é apenas um processo técnico. É também um processo afetivo. Uma criança que se sente apoiada, amada e valorizada aprende com mais confiança. Foi isso que fez diferença para mim, e é isso que incentivo sempre: que a leitura e a escrita sejam cultivadas não como obrigação, mas como pontes para o prazer de aprender, imaginar e se comunicar com o mundo.

Daniela Vieira Nardi Saravalle | Fonoaudióloga